Escutei essa frase de uma amiga muito querida e passei dias e dias refletindo sobre ela. Mas afinal o que é o certo?

Eu aprendi que as pessoas são muito diferente entre si, cada uma tem seu tempo, seu ritmo e sua maneira de pensar. Ótimo! Até aà tudo bem! Não dá questionar porque essa diferença é gerada porque temos experiências muito distintas. Mas e se o que é certo para mim não é para os outros ao meu redor? E o que fazer quando eu quero algo que os outros julgam não ser o certo?
Segundo o dicionário Aurélio a palavra certo corresponde a ser verdadeiro, exato, indubitável, que dá no alvo, seguro, certeiro… ler esse conceito me trouxe ainda mais questionamentos.
Se estar certo corresponde a ser verdadeiro, logo faz sentido que o que é certo para um não necessariamente seja para os outros, é isso?
A palavra indubitável significa que não pode ser objeto de dúvida, algo incontestável. Como assim? Incontestável? Se cada pessoa pensa de uma maneira, logo a verdade é relativa. Cada pessoa tem a sua própria verdade. Para ela aquela verdade, que ela acredita realmente é incontestável. Mas como impor a minha verdade para as outras pessoas se cada uma tem a sua própria? Será que eu estou ficando louca por pensar assim e questionar isso?
Veja bem! Quantas vezes você desejou algo mas para a sua famÃlia aquilo não era o certo? Faça uma retrospectiva e perceba que isso acontece com frequência. Mas e daÃ, qual é a verdade que eu tenho que seguir? A minha ou das pessoas ao meu redor?
Por exemplo imagine a seguinte situação: uma mulher tem um bebezinho de cinco meses e precisa deixa-lo na creche todos os dias para poder trabalhar. Essa mesma mãe é estudante, porque sonha com um futuro melhor para ela e o seu filho e precisa assim deixar o seu lindo filhinho durante o dia na creche e três vezes por semana com uma babá. O que é o certo nesse caso?

Cada um terá uma opinião diferente! Isso é fato!
Talvez a famÃlia dessa mãe a critique muito porque ela está “abandonando†o seu bebê para cuidar de interesses próprios. Talvez ela própria se sinta culpada por isso. E muitas vezes ela se questiona se realmente está certa. Mas o que é o certo de verdade?
Qual é a intenção dessa mãe? Ela precisa trabalhar para poder sustentar seu filho e ao mesmo tempo ela tem projetos para a sua vida e deseja estudar para se sentir realizada profissionalmente e, quando a seu filho for estudar ela quer ser capaz de pagar seus estudos. Isso é errado? Uma mãe sonhar com um futuro melhor para ela e para seu filho? É errado essa mãe ter sonhos? É errado essa mulher ter vontade própria?
Mas e o bebê que fica tanto tempo longe da mãe, como que fica? Isso é certo?
Que difÃcil tudo isso! Então o certo depende do ponto de vista. Talvez para a mãe que deseja um futuro melhor seja certo os sacrifÃcios. Mas olhando do ponto de vista do bebê que fica a maior parte do tempo longe da mãe. Será que é o certo?
Vamos imaginar duas situações:
Primeiro: dezessete anos depois desse fato fictÃcio que estou trazendo para a nossa reflexão, o filho decide ir embora para fazer a faculdade que ele sempre sonhou. Sua mãe agora uma advogada bem sucedida tem plenas condições de pagar a sua faculdade, sua moradia, alimentação, vestuários e todo o resto necessário. Faz isso sem muito esforço porque estudou. Por que lá no começo da vida profissional dela, ela se submeteu a alguns sacrifÃcios.
O filho se sente muito grato pela mãe que tem. Ela lhe apoia em tudo. É aquela “parceira†que conta piada, viaja com a “galera†e tem um orgulho gigante do seu filho amado e, faz questão de lhe falar sempre isso. Que mesmo que não tenha sido planejado, foi uma bênção na sua vida.
A segunda situação é oposta. A mesma mãe, que sempre sonhou em estudar. Acontece que numa “noite de farra†ela acabou engravidando de um pai que sumiu do mapa. Diante disso ela abandona todos os seus sonhos para se dedicar aquela criança que não tinha culpa de nada. Gesto muito nobre esse.
Mas será que ela fica feliz? Quanta amargura ela vai carregar pelo resto de sua vida. Numa decisão impensada, resultou no nascimento de uma criança e consequentemente ela resolveu seguir o que era certo para a sua famÃlia. A partir do nascimento ela se dedicou exclusivamente ao seu filho e matou assim o seu sonho de estudar.
Dezessete anos se passaram, essa mãe vive doente porque tem mágoas profundas, ela não seguiu o seu coração, ela seguiu o que era certo para os outros e “engoliu†todos os seus projetos. Ela trata mal seu filho, porque lá no inconsciente dela, ele é o culpado por tudo isso. Não foi planejado, aconteceu.
O filho por sua vez se sente rejeitado. A mãe está sempre reclamando e lembrando a ele que precisou “enterrar†seus sonhos para poder cria-lo e dar-lhe atenção. Esse filho se sente sozinho, sem ter com quem contar porque a sua mãe vive brigando com ele, achando defeitos e julgando-o por tudo.
E daà o que é certo?

Eu não me arrisco a dizer qual dos casos está certo e qual está errado, justamente porque depende de muitas variáveis.
O que eu sei é que na minha vida muitas vezes eu me deparei com essas dúvidas. Qual o caminho certo a seguir? Escuto os outros ou ouço a voz do meu coração.
Algumas vezes eu fui atrás do meu coração e não deu certo, outras no entanto ouvi ele e fui bem sucedida.
Outras vezes ouvi os outros e “me ferreiâ€. Outras no entanto, me livraram de algum sofrimento futuro.
Esse assunto está muito confuso. E por isso ainda estou analisando a frase que ouvi: o que é certo para os outros talvez não seja para você.
Eu acredito, e sempre falo nos meus treinamentos que não existe uma “receita de bolo†pronta, o que existe são ideia, pensamentos e opiniões diferentes. Mas o que realmente vai contar, no final das contas são as experiências que você viveu. Algumas boas, outras ruins e segue a vida. E esta tudo certo!
Talvez isso seja o real significado de certo. O certo talvez está na diferença de opiniões. Talvez o certo esteja em se conhecer tão bem a ponto de ter tanta certeza do que é o certo para você, que mesmo que não seja para as pessoas ao seu redor, é você quem decide qual  “certo†seguir.
E eu sigo aqui tentando entender a certeza. Depois de tudo isso que escrevi a única certeza que eu cheguei foi a de que não existe nada certo. Nada definitivo. O certo de hoje, talvez não seja o certo de amanhã.
E sabe o porquê?
Talvez amanhã você esteja mais maduro, tenha estudado coisas diferentes e se permita mudar de opinião. Ou seja, mudar o que é certo para você, e que já não é mais.
Cabe a cada um de nós ouvir mais a voz do coração, para entendê-la. Muitas vezes, por inexperiências nós a interpretamos de maneira equivocada e, é aà que quebramos a cara.
A voz do nosso coração é a certa. Mas tem que ser bem interpretada, porque muitas vezes nos nós equivocamos e tomamos decisões contrarias a nossa essência.
Nunca canse de se conhecer. Somos uma “caixinha de surpresas†e precisamos a cada época de nossa vida ir abrindo e desvendando os mistérios dessa caixinha mágica.
Espero ter contribuÃdo contigo em algum sentido. Mas de verdade, a resposta está sempre dentro de você. Dentro do seu coração. Desenvolva o hábito de ouvi-lo e interpreta-lo. Isso é treino.
Devaneios de uma escritora em construção.
Com amor!
Ana Maciel