O difícil exercício de viver sem julgamentos

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Parece que é uma obrigação ter uma opinião formada sobre tudo. A grande questão é que “essa opinião formada” esta carregada de julgamentos e temos o hábito de polarizar tudo, entre bom e mal, certo e errado ou ainda entre feio e bonito. Precisamos aprender o caminho do meio, entendendo assim que nada precisa ser totalmente certo ou errado, é apenas um ponto de vista baseado nas minhas vivências, crenças e valores.

Quando eu estou no julgamento eu acabo criando a ilusão de ficar aprisionada naquela opinião, como se não fosse permitido mudar de ideia. Quando eu entendo que tudo é um ponto de vista e de que a vida está o tempo inteiro se transformando eu me liberto dessa necessidade de julgar.  E eu me permito assim perceber todas as infinitas possibilidades que tenho.

Como naquela música do Raul Seixas que diz:  “… Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…” precisamos aprender que somos sim metamorfoses, estamos em construção o tempo inteiro e não podemos nos prender a opiniões formadas, porque tudo muda, sempre, inclusive a nós mesmos.

A nossa visão é extremamente limitada, nunca conseguimos ver o quadro completo. Isso porque “essa visão” é formada pelas nossas experiências que é o que forma a nossa mentalidade. Essas vivências estão carregadas de emoções, formando assim um julgamento parcial dos fatos. As nossas escolhas são baseadas nesses julgamentos parciais. Percebe o círculo vicioso que estamos envolvidos? Uma das formas de sair desse círculo é entendendo os princípios da comunicação não violenta – CNV.  Ela foi sistematizada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg na década de 60. Ele tem um livro com este mesmo título.

A CNV é uma abordagem de comunicação autentica e “desarmada”. É quando permitimos nos comunicar sem a necessidade de atacar ou nos defender. Essa forma de comunicação agressiva, foi nos ensinada ao longo da vida e que faz parte do inconsciente coletivo. É como se eu precisasse ganhar a discussão, sempre com a intenção de estar certa e para isso o outro precisa estar errado e eu preciso ataca-lo para conseguir isso. É preciso ampliar a consciência para perceber que isso é uma grande ilusão.

 

As análises que fazemos dos outros são, na verdade, expressão das nossas próprias necessidades e dos nossos próprios valores. Marshall B. Rosenberg

 

É importante entendermos que é preciso criar conexão com as pessoas e nos livrarmos assim, da necessidade de estarmos sempre certos. Isso não significa dizer que precisamos “engolir sapos”, muito pelo contrário. A CNV nos ensina a nos expressarmos sempre, de forma clara e harmoniosa. Para isso, é preciso aprendermos a expressar os nossos sentimentos e falar das nossas necessidades, sendo sinceros conosco mesmos.

Ao invés de julgar o outro, precisamos expandir a consciência para entender que por trás de um comportamento existe necessidades a serem atendidas. Quando entendemos isso, tudo fica mais leve e nos libertamos da necessidade de gerar expectativas e acumular mágoas e ressentimentos.

Para praticar a CNV é preciso entender que é importante “baixar a guarda”, focar na conexão entre as pessoas, aprender a ter empatia e compaixão e ainda entender que aprender a não julgar é um processo e por isso deve ser consistente. Isso porque o hábito do julgamento está enraizado no nosso sistema.

E para efetivamente viver os princípios da CNV é preciso ainda: observar a pessoa que está falando sem julgamento, perceber quais os sentimentos que estão envolvidos no processo, entender quais as necessidades por trás e ainda perceber qual o pedido a pessoa esta fazendo, direta ou indiretamente.

Viver sem julgamento é viver livre para “saborear” o agora. Libertando-se assim do peso de estar sempre certo e ter uma opinião formada sobre tudo.

 

Com muito amor,

Ana Maciel

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