Tudo começou com uma lesão no joelho. Costumo dizer que o corpo é “fofoqueiro”, ele sempre revela aquilo que a mente insiste em esconder. Quando precisei diminuir os treinos de corrida, algo me chamou atenção. Não era só frustração física. Tinha algo ali pedindo escuta.
Comecei a refletir sobre o que aquela lesão queria me dizer e o que representava, para mim, ter que desacelerar. Foi nesse movimento que percebi o quanto eu estava resistindo ao um processo de cura. E eu sei, tanto pela vivência quanto pelos estudos, que onde existe mais resistência, existe também um portal de cura muito profundo.
O problema é que a resistência raramente grita. Ela sussurra. A autossabotagem é sutil, elegante, quase convincente. E nesse jogo interno, a gente se engana com facilidade.
Passei então a me observar com mais honestidade. Observava meus pensamentos. Observava meus sentimentos. Observava a simbologia daquele joelho que insistia em doer a cada tentativa de voltar a correr. Ajustava o tempo, espaçava os treinos, fazia tudo “certo”, mas parecia que nada funcionava.
Decidi usar em mim todas as ferramentas que conheço. Foi um processo intenso de auto observação. Camada por camada, fui desvendando o que sustentava aquela autossabotagem.
O que encontrei foi profundo. Eu estava presa a memórias infantis. A interpretações que a minha mente construiu quando eu era criança e que, mesmo hoje, a adulta seguia protegendo. Não por fraqueza, mas por lealdade à dor daquela criança que eu fui.
Foram meses de busca interior até que eu pudesse reorganizar isso internamente e, só então, começar a planejar de forma concreta a minha mudança de Vacaria. Assim consegui estabelecer um plano de ação, vou embora em no máximo 50 dias.
Esse é o segundo post de uma sequência de oito, onde compartilho detalhes do que considero a maior cura da minha existência, até agora. Se você ainda não leu o primeiro, volte lá. Essa história é um processo, e cada parte importa.
Nos próximos posts, continuo te contando esse caminho com verdade e profundidade. Porque quando a escuta começa, a vida também começa a se mover.
Ana Paula Maciel