Hoje compartilho com você o quarto post da série Eu vou embora. Aqui eu abro o coração e falo de uma das maiores tomadas de consciência da minha vida, aquela que está me permitindo avançar.
Por muito tempo, a minha dificuldade em sair de Vacaria esteve profundamente ligada aos meus pais. Mais especificamente às expectativas que eu criei quando era criança e que na minha percepção infantil, não foram atendidas.
Eu fui uma criança muito boazinha, quieta, que não dava muito trabalho. Sou a filha mais velha de quatro e quando eu tinha quatro anos, já havia dois irmãos mais novos na família. A minha mente infantil construiu uma interpretação silenciosa, se eu não dou trabalho, não preciso de atenção. Se não preciso de atenção, não sou vista.
A partir daí, morar perto dos meus pais se tornou sem que eu percebesse, uma tentativa inconsciente de ser vista, reconhecida e finalmente cuidada da forma que aquela criança acreditava precisar. Por mais contraditório que isso possa parecer, a minha busca inconsciente era essa.
O curioso é que conscientemente, isso não fazia sentido algum. Sempre tive e tenho uma ótima relação com eles. Mas o meu sonho de ir embora ficou suspenso por 15 anos por uma interpretação equivocada da menininha que eu fui.
É importante dizer isso com muita honestidade. Fui cuidada, tive minhas necessidades básicas atendidas e recebi o que era possível naquele contexto. Caso contrário, eu sequer estaria aqui contando essa história. O ponto não é culpar, é compreender.
Compartilho isso de forma humilde para lembrar que todos nós carregamos bloqueios e leituras internas distorcidas que sem perceber, nos impedem de avançar. Não porque somos fracos, mas porque estamos tentando reparar algo antigo.
Felizmente, consegui identificar esse padrão. Hoje estou a aproximadamente um mês de realizar um sonho que adiei por tantos anos, não por falta de desejo, mas por conflitos inconscientes que só vieram à luz no ano passado.
Ao longo dessa série, falei sobre a importância da auto observação, sobre o quanto pedir ajuda foi decisivo e hoje, compartilhei uma das maiores tomadas de consciência que tive em toda a minha jornada de cura interior. Porque quando a origem é vista, o movimento finalmente acontece.
Ana Paula Maciel