Somos a soma de toda a nossa ancestralidade. Carregamos no nosso DNA registros de todas as crenças, sonhos, decepções e tragédias que fizeram parte daqueles que vieram antes de nós. A nossa maneira de pensar é um mistura de tudo isso, o que vivemos e que carregamos em honra aos nossos ancestrais.

Cada vez mais convivemos com mulheres bonitas, bem resolvidas e sozinhas. O que acaba, muitas vezes gerando uma dualidade, entre o que ela de fato quer e acredita e aquilo que as pessoas esperam dela. Aquele conflito interno, em que muitas vezes, no silêncio dos seus pensamentos, vem a tona todos os seus medos e inseguranças: mas será que tem alguma coisa errada comigo?
Muitas mulheres cresceram ouvindo que precisavam casar, ter filhos, serem ótimas donas de casa, cuidando assim da sua famÃlia. Essas crenças coletivas ficam muito evidentes quando se ouve perguntas do tipo: quando você vai casar? Quando você vai ter um filho? Como você vai dar conta sozinha? E tantas outras que estamos tão habituadas a ouvir. Parece que existe uma pressão coletiva para seguir a “normalidadeâ€. E sendo assim, para conseguir ser plenamente feliz é preciso ter a “cara metade†do lado, construindo uma vida de “conto de fadas” juntos.
E toda essa pressão, evidentemente, gera um monte de conflitos. Seja quando existe uma relação abusiva e o medo de impor limites. Ou ainda a busca incessante por encontrar alguém e assim a felicidade plena.
Tudo isso são crenças coletivas que estão enraizadas em todo o nosso sistema. E mesmo que você seja completamente contra, acreditando que pode sim se sentir completa sozinha e ser feliz assim, o peso de tudo isso vai te impactar uma hora ou outra.
Foi isso o que nos foi ensinado ao longo dos séculos: mulher não tem voz ativa, é o “sexo frágilâ€, não consegue se defender ou se sustentar sozinha… e aquelas que fogem as regras acabam tendo que ouvir piadinhas sobre isso, eventualmente.
Por tanto tempo compramos a ideia de que precisávamos de alguém para nos validar, que muitas vezes vem a dúvida a mente: será que serei feliz se ficar sozinha?
A dualidade que existe entre desejar expressar toda a vida que existe dentro de si, buscar incessantemente a conquista de um “lugar ao sol†e o peso de todas essas crenças que impactam a nossa vida, acaba ficando pesado as vezes. Por isso aquele “vazio†no peito, a intranquilidade de ser solteira, baixa autoestima e por aà vai.
A mulher está sim assumindo um papel lindo, com toda a sua amorosidade e dedicação, que são caracterÃsticas natas. O que consequentemente faz ela se destacar, se sentir valorizada e entrar em sintonia com esse fluxo, o da abundância. Consequentemente ela só vai admitir uma relação que esteja em acordo com tudo isso, ou pelo menos é o que deveria acontecer. Não se diminuir para caber na vida de alguém.
E como resolver essa dualidade?
Primeiramente aceitando-se. Reconhecendo sua essência, o que realmente é importante e o que faz sentido para você. Aceitando assim também que o fato de você estar se desenvolvendo e buscando o seu lugar, vai deixa-la mais seletiva sim, e está tudo bem.
Precisamos aprender que não existem regras para a felicidade. Ela está dentro de cada um, com sua individualidade e desejos próprios. Cada fase da vida é um momento único e exclusivo e é preciso respeitar isso e aprender a viver intensamente cada um deles, sozinha ou não.
E preciso também se sentir completa na sua essência, não é o outro que trará a felicidade, ela está dentro de cada um. E esse talvez seja o aprendizado mais importante.
A prova dos nove de que isso foi superado, é quando se ouvir as tais piadinhas e as velhas perguntas de sempre, e não sentir mais nenhum sentimento ou sensação de ser diferente, ou inferior, ou ainda de não se enquadrar na “normalidadeâ€. Apenas é assim.
Escolha viver todos os dias de acordo com o que faz sentido para você e busque se curar de tudo aquilo que faz você ir contra a sua essência. É exatamente por isso que estamos aqui, cocriando essa realidade, para nos curarmos e assim liberar a nossa ancestralidade e permitir que nossos descendentes não precisem carregar esses pesos também.
Parece pesado? Talvez seja, depende da perspectiva. Procure fazer tudo isso com leveza, no seu tempo e se divertindo a cada aprendizado e tomada de consciência.
Pense nisso!
Com muito amor,
Ana Maciel